1.O que é para si a felicidade absoluta?
R-Poder dedicar-me inteiramente à escrita, enquanto ainda tenho a capacidade de ver, de raciocinar e de imaginar.
2.Qual considera ser o seu maior feito?
R-Ter conseguido “contaminar” uma parte dos meus alunos, em pelo menos duas gerações, com a minha paixão pela Literatura, Cultura e História portuguesas e fazê-los experimentar o prazer mágico de moldar as palavras, ensiná-los a soprar-lhes vida para criar histórias, que se concretizaram em duas colectâneas de contos e duas peças de teatro.
3.Qual a sua maior extravagância?
R-Percorrer os caminhos e rotas dos aventureiros dos Descobrimentos, encontrar o seu rasto nos lugares mais longínquos e ouvir as histórias desse passado colectivo pela boca do “Outro”.
4.Que palavra ou frase mais utiliza?
R-Com mil raios!
5.Qual o traço principal do seu carácter?
R-Rebeldia e intransigência em pontos de honra e de justiça.
6.O seu pior defeito?
R-Ser excessiva em tudo o que sinto ou faço.
7.Qual a sua maior mágoa?
R-Ver Portugal a naufragar na mais desgraçada mediocridade, com gente (dirigentes incluídos) cada vez mais inculta, incompetente, invejosa e grosseira, enquanto os nossos melhores cérebros e talentos, para não estiolarem e morrerem aqui, têm de emigrar para outros países, contribuindo para o seu maior desenvolvimento e empobrecimento nosso.
8.Qual o seu maior sonho?
R-Ver Portugal sair da mediocridade com uns dirigentes e uma população cada vez mais culta, competente, altruísta e civilizada. Um sonho que, seguramente, não verei realizado.
9.Qual o dia mais feliz da sua vida?
R-O lançamento do meu romance “D. Sebastião e o Vidente”, pela Porto Editora, na Sala do Antigo Refeitório do Mosteiro dos Jerónimos, no dia 3 de Novembro de 2006 – uma noite de pura magia, um recuo de quinhentos anos no tempo, a que nem faltou uma tempestade para recriar o espírito de época –, sobretudo pela presença de mais de quatrocentas pessoas que tiveram significado na minha vida longa de sessenta e um anos, algumas vindas dos quatro cantos de Portugal para estarem comigo.
10.Qual a sua máxima preferida?
R-Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti.
11.Onde (e como) gostaria de viver?
R-Em Lisboa – num Portugal mais empreendedor, culto e honesto, com menos pobreza, corrupção, compadrios e lobbies – na minha casa, dedicando-me exclusivamente à investigação e a escrever romances. Há tantas histórias nossas que gostaria de partilhar com os outros e já escasseiam a luz dos meus olhos e o fio de areia na ampulheta do Tempo...
12.Qual a sua cor preferida?
R-Azul.
13.Qual a sua flor preferida?
R-A violeta.
14.O animal que mais simpatia lhe merece?
R-O cão, o amigo mais fiel, generoso e desinteressado.
15.Que compositores prefere?
R-Bach; Mozart; Chopin; Beethoven... Lopes Graça e Paredes... Musica Renascentista. Muitos outros de vários tipos de música não clássica... felizmente encontro prazer em muitíssimas coisas diversas, sendo essa mesma diversidade uma fonte de prazer.
16.Pintores de eleição?
R-Chranach; Bosch; Da Vinci; Rubens; El Greco; Velásquez; os Impressionistas Franceses; Picasso, Vieira da Silva; Pomar; muitos, muitos outros.
17.Quais são os seus escritores favoritos?
R-É difícil escolher que a lista é longa. Fui leitora compulsiva enquanto os olhos mo permitiram, nos últimos anos menos, restrinjo-me à investigação. Mas nunca me cansam os grandes autores portugueses, russos, franceses, ingleses: Dostoievski; Tolstoi; Proust; Shakespeare; Gil Vicente; os cronistas do Sec. XVI; Fernão Mendes Pinto; Padre António Vieira; Eça de Queirós; Maria Velho da Costa; Saramago, tantos outros... mas cada vez menos contemporâneos, já não me surpreendem.
18.Quais os poetas da sua eleição?
R-Luís de Camões e Bernardim Ribeiro; Fernando Pessoa e Sá Carneiro; Rimbaud e Baudelaire; Walt Wittman; Garcia Lorca; inúmeros poetas brasileiros; alguns sul-americanos como Neruda; Sofia de Mello Breyner, António Ramos Rosa, António Gedeão, Eugénio de Andrade, Alexandre O’Neill, Teresa Horta, Fiama; outros muitos...
19.O que mais aprecia nos seus amigos?
R-Isso mesmo, a amizade! Que outra coisa se pode desejar que nos seja mais doce na alegria ou na tristeza?
20.Quais são os seus heróis?
R-Os escritores, pensadores e aventureiros do Século XVI: Pêro da Covilhã, Bartolomeu Dias; Diogo Cão; Diogo da Azambuja. Damião de Góis, Camões, Garcia da Orta, Pedro Nunes... No presente, os Médicos sem Fronteiras; os cientistas que procuram descobrir curas de doenças e remédios para outros males do mundo.
21.Quais são os seus heróis predilectos na ficção?
R-Os que têm uma dimensão maior do que a sua vida, seja ela afortunada ou (de preferência) trágica. Por isso, os aventureiros e navegadores portugueses com a sua saga dos Descobrimentos – fazendo viagens só comparáveis às espaciais da nossa época, dominando os medos e as fraquezas da sua frágil humanidade para descobrirem o encoberto, desmistificando superstições de séculos ao trazerem ao mundo novos conhecimentos – são os meus heróis de excelência.
22.Qual a sua personagem histórica favorita?
R-Pêro da Covilhã, um escudeiro e espião de D. João II que, no Sec. XV, fez a viagem que eu considero ser a mais espantosa de todos os tempos, enquanto viajante solitário, percorreu três continentes e descobriu por fim o Reino do Preste João, um enigma que toda a Cristandade buscava desvendar, há mais de duzentos anos.
23.E qual é a sua personagem favorita na vida real?
R-Nenhuma.
24.Que qualidade(s) mais aprecia num homem?
R-Honestidade, cultura, generosidade.
25.E numa mulher?
R-Honestidade, cultura, generosidade.
26.Que dom da natureza gostaria de possuir?
R-Asas para voar.
27.Qual é para si a maior virtude?
R-Ser-se autêntico e verdadeiro.
28.Como gostaria de morrer?
R-Com cianeto ou comprimidos, no momento escolhido por mim.
29.Se pudesse escolher como regressar, quem gostaria de ser?
R-Eu, com todas as minhas memórias, para não fazer os mesmos erros e aproveitar melhor a vida e voar mais longe, se pudesse. Embora, se viesse como homem, nas próximas gerações, talvez tivesse mais possibilidades de me realizar.
30.Qual é o seu lema de vida?
R-Ser responsável por todos os meus actos e assumir os sucessos e os erros da minha vida. Procurar ser cada vez melhor naquilo que faço, tentar ir sempre mais além, por mérito próprio, sem cedências e sem atropelar ninguém. A esta distância posso dizer com alguma certeza que me mantive fiel a esse lema e isso faz-me sentir bem com a minha consciência que é o meu mais severo juiz.
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